O que esperar da Economia com o resultado das Eleições?

O que esperar da Economia com o resultado das Eleições?

No dia seguinte às eleições, logo na sua abertura, o Ibovespa, índice que mede o desempenho das principais ações da Bolsa de Valores aqui do Brasil, voltou a chegar no seu recorde histórico, e bateu o recorde histórico de abertura. Mas o que aconteceu?

Jair Bolsonaro foi eleito, no último domingo (28), o próximo Presidente do República. Trata-se da primeira vez que o Partido Social Liberal, o PSL, governará o país, e isso marca uma quebra nos ideais políticos defendidos pelo presidente. De 2002 até 2016, nos governos Lula e Dilma, do Partido dos Trabalhadores, o PT, o posicionamento político era mais voltado para à esquerda, prevalecendo medidas focadas numa maior inclusão social. Com Bolsonaro e o PSL, o foco das ações devem seguir o conservadorismo, nacionalismo e, do ponto de vista econômico, o liberalismo.

Por conta do caminhar das eleições e das projeções, o mercado acabou se posicionando favoravelmente ao então candidato Bolsonaro. O resultado das pesquisas e também o resultado final das eleições acabaram mostrando a Bolsa de Valores subindo nesse período. Porém, vale lembrar que isto se trata de uma especulação, o que não garante qual será o futuro da economia para os próximos anos. Basicamente, o mercado está esperançoso com relação a economia voltar aos seus trilhos. Em outras palavras, o mercado “comprou o risco” da dúvida.

Para o Ministério da Fazenda, Bolsonaro já nomeou o economista Paulo Guedes, que ao longo da campanha ressaltou propostas liberais com viés reformista para solucionar o problema das contas públicas. Segundo Guedes, a mudança do modelo econômico será baseada em três grandes itens para controle dos gastos: previdência, despesas dos juros e gastos com a máquina pública.

Outras falas, como a volta da CPFM, a independência política e administrativa para o Banco Central e novas metas para taxas de juros e câmbio também surgiram durante a campanha.

Cenário Atual

Hoje, temos o seguinte cenário, baseado no relatório Focus lançado pelo Banco Central um dia após o 2º turno das eleições:

Previsão 2018 2019
Produto Interno Bruto (PIB) 1,36% 2,50%
Inflação 4,43% 4,22%
Taxa básica de juros (Selic) 6,50% 8,00%
Dólar  $        3,71  $       3,80
Balança Comercial (bilhões)  $     56,00  $    48,20
Investimento Estrangeiro direto (bilhões)  $     67,00  $    70,00

Fonte: Banco Central

Em relação às contas públicas, Bolsonaro e Paulo Guedes vão encontrar um cenário bem desafiador pela frente. De acordo com levantamento da Secretaria do Tesouro Nacional feito no dia 26 de Outubro, o valor da Dívida Pública Federal, que inclui endividamento interno e externo é de R$ 3.779 trilhões.

Além disso, mesmo com a Medida Provisória do Teto dos gastos, outro cenário que enfrentarão é o do aumento da Despesa:

Fonte: SIGA Brasil – Senado Federal

Previdência Social e Políticas Econômicas

Um dos pontos mais importantes que precisará ser muito discutido é a questão da Previdência Social, por conta de ser um dos principais alavancadores do aumento dos gastos (em 2017 foi responsável por 25,66% do Orçamento Público):

Fonte: SIGA Brasil – Senado Federal

Mais do que isso, assim como em boa parte do mundo, estamos vendo acontecer no Brasil um aumento da expectativa de vida e também uma redução da taxa de natalidade, o que acaba podendo trazer prejuízos gigantescos nas contas da previdência daqui para frente caso as regras não sejam revistas:

Por conta disso, fatores como a idade mínima, regimes especiais e benefícios devem ser revistos e reformulados.

Políticas Econômicas

Outros temas como privatizações, concessões, reforma tributária e abertura comercial também devem ser as novas pautas dos novos eleitos. Em campanha, Paulo Guedes mencionou a ideia de zerar o imposto de renda para quem ganha até 5 salários mínimos e uma alíquota única de 20% para quem ganha acima disto. Também foi mencionado a menor incidência de impostos para o setor de consumo.

Para investimentos, também é estudada a criação de um imposto de 20% sobre dividendos, com uma contrapartida da redução do imposto de renda pago pelas empresas de 34% para 15%.

O cenário das privatizações é mais incerto. Por mais que Paulo Guedes tenha se manifestado favorável à privatizações em massa, Bolsonaro disse que o foco será nas empresas deficitárias.

Especulação e Risco

Basicamente, para as empresas, o cenário projetado é o de potencial na melhora na atividade, o que, para segmentos diretamente relacionados ao consumo, deverá trazer aumento nas vendas. Com a expectativa de valorização do Real, empresas importadoras também estão com projeção de melhoria nos resultados.

Por outro lado, há uma grande incerteza pelo quem está por vir, pelo fato de Bolsonaro, apesar da longa carreira pública, nunca ter atuado em cargos do Executivo. Isso faz com que as reformas possam ser demoradas e tímidas.

O ano de 2019 será divisor de águas, pelo fato de, no primeiro ano de mandato, a possibilidade de aprovar-se reformas é maior, já que há maior capital político. Por isso, é fundamental que a Reforma da Previdência seja a principal pauta. O Governo Temer chegou a elaborar uma proposta de reforma, que não foi aprovada, por isso, uma das possibilidades é aproveitar a mesma para que não ter que começar algo do zero, o que poderia demorar muito tempo.

Vale ressaltar a importância que o Congresso tem na aprovação ou não das medias. Por isso, a volatilidade ainda existirá enquanto que os principais cargos e posicionamentos dos partidos não esteja 100% definido.

A pergunta que fica é: por quanto tempo durará a lua de mel entre Bolsonaro e o mercado?

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