Os investimentos da década

Os investimentos da década

Mais uma década se foi. Entre 2010 e 2019 tivemos dez anos marcados no cenário externo pela recuperação da crise econômica de 2008 e, no cenário interno, tivemos uma série de acontecimento que movimentaram a economia e a política. E, claro, tudo isso acabou tendo grande interferência no mundo dos investimentos.

Cenário Externo

Vamos começar pelo cenário externo. A crise econômica de 2008 foi responsável por deixar muita gente de cabelo em pé. Bancos quebrando, empresas sofrendo, desemprego e países entrando em colapso foram os pontos negativos. Porém, em paralelo a isso, nascia o Bitcoin. Apesar de sua criação em 2008, e seu lançamento em 2009, foi a década seguinte que trouxe o grande crescimento da criptomoeda.

Para você ter noção do crescimento, de acordo com um relatório do Bank of America Securities, quem investiu US$ 1 em Bitcoin em 2010 teria hoje US$ 90.026. Esta valorização de 9.002.500% dá ao Bitcoin o título de investimento mais rentável da década. Porém, não se esqueça que a criptomoeda teve várias altas e baixas, características de um ativo de renda variável.

Enquanto o Bitcoin teve a maior valorização da década, a maior desvalorização foi do Kyat, moeda de Mianmar, com US$ 1 comprado em 2010 valendo hoje cerca de US$ 0,004.

Além de ser uma década de recuperação da economia para muitos países, podemos destacar também o “abalo das estruturas” da União Europeia, por conta do Brexit (saída do Reino Unido), a guerra comercial entre China e Estados Unidos (simplesmente as duas princiapais potências mundiais) e, mais perto da gente, as crises políticas em diversos países da América Latina.

Analisando o mercado de ações, o destaque ficou para as ações dos EUA, com rendimento de 246%. A pior posição ficou para a Grécia, com queda de 93%. No Brasil, o Ibovespa cresceu 57%.

Cenário Interno

Não foi só no cenário externo que a economia teve grandes emoções. No Brasil, a recuperação da crise de 2008 foi mais rápida, muito em função do bom momento econômico que o país vivia. Porém, o cenário se reverteu na metade da década. Enquanto pensava-se muito na Copa do Mundo e nas Olímpiadas do Rio, as taxas de juros estavam em patamares elevados e iniciou-se um cenário de redução no consumo, quedas na produção, demissões, aumento de endividados. O PIB começou a cair, levando o país a entrar na recessão.

Mais do que uma crise econômica, a política também passou por grandes problemas. Nessa década aconteceu o impeachment da presidente Dilma Rousseff, delações, a prisão de dois ex-presidentes (Lula e Temer) e a eleição do presidente Jair Bolsonaro.

Durante o governo Temer, a equipe econômica, liderada pelo então ministro da Fazenda Henrique Meirelles, teve como política os sucessivos cortes da taxa Selic, como medida para tirar o país da recessão. Em paralelo, reformas passaram a ser discutidas e efetivadas. Durante o governo Temer e o Governo Bolsonaro, tivemos a reforma trabalhista e a reforma da Previdência. Acabou ficando pendente a reforma Fiscal. E, apesar das medidas, a década se encerrou com a economia do país ainda muito aquém da desejada, com desemprego elevado e crescimento do PIB ainda tímido.

Por bem ou por mal, todo esse cenário acabou interferindo nos investimentos. O Uol fez um levantamento comparando os principais investimentos da década aqui no Brasil. O campeão foi o ouro, com 234%.

Na segunda posição aparece o Certificado de Depósito Interbancário, o CDI, taxa usada em diversas aplicações da renda fixa. Apesar da taxa terminar a década puxada para baixo, por conta da Selic, em boa parte da década as taxas de juros estavam elevadas, o que resultou num crescimento total de 153%.

Na terceira posição aparece o dólar com 142%. Na quarta posição aparece mais um investimento de renda fixa: a Caderneta de Poupança, com valorização de 88%, mais um ativo que teve um valor acumulado expressivo, mesmo com o fechamento da década com índices baixos.

Na quinta posição aparece mais uma moeda, o Euro, com valorização de 85%. E em sexto lugar, aparece o Ibovespa, com 57%. Neste caso, vemos o oposto dos ativos de renda fixa, que tiveram bons resultados mas fecharam a década com taxas mais baixas. No caso das ações, a bolsa começou a se aquecer no final da década.

Para você ter um parâmetro, a inflação da década (IPCA), foi de 74%. Isto mostra que o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa de valores brasileira perdeu para a inflação, o que mostra um ganho real negativo. Isso mostra que, apesar de não ter sentido tanto a crise de 2008, o país passou por uma década bem delicada, com uma crise interna, marcada por uma Selic começando a década com taxas muito elevadas, e, com os governos não conseguindo acertar em cheio nas políticas econômicas para reverter isso, o que acabou afetando diretamente o mercado de capitais.

Se formos resumir, vemos que no início da década os grandes investimentos estavam concentrados na renda fixa, com as taxas de juros mais elevadas. Com os cortes da Selic, o papel acabou sendo passado à renda variável, com o crescimento, no final da década, para ativos como ações e fundos imobiliários.

Ações

Conforme já mostramos, na década 2010-2019 o Ibovespa teve um crescimento de 57%. Este índice é composto pelas principais ações negociadas na bolsa de valores brasileira. Se formos olhar ação por ação, o Estadão elaborou o ranking das maiores altas é: Sanepar (1.533,27%), Comgás (1.331,89%), Alpargatas (1.226,62%), RaiaDrogasil (1.225,09%), Eztec (1.220,14%), Equatorial (1.1143,69%), Lojas Renner (987,42%), Localiza (921,90%), Unipar (726,01%) e Taesa (709,98%).

Fundos

O Uol também fez um estudo sobre o desempenho dos fundos de investimentos na última década. O fundo campeão foi o AZ Quest Small Mid Caps FC FIA, com valorização de 539,14%, seguido pelo Icatu Vang FC de FI Inflação RF LP (286,95%) e Sul America Inflatie FI RF LP (271,01%).

Isso mostra que o fundo campeão apostou nas small caps, ações de empresas de baixa capitalização. Já o segundo e o terceiro colocados tinham carteiras voltadas em títulos de renda fixa de longo prazo, com foco em superar a inflação.

E você, apurou os resultados das suas aplicações na última década? Já sabe onde vai investir nesta década? Monte sua estratégia de investimentos, lembrando sempre do tripé Risco-Liquidez-Rentabilidade. Diversifique, tenha objetivos por trás dos investimentos e lembre-se que retornos do passado não são garantias de retornos no futuro.

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