Equity Crowdfunding: investindo em startups

Equity Crowdfunding: investindo em startups

No último artigo, trouxemos uma alternativa que empresas e pessoas podem utilizar para tomada de empréstimos, que, ao invés do processo ser feito com instituições financeiras, é feito a partir do recurso de investidores. Trata-se das plataformas de Peer-to-Peer Lending (empréstimo P2P).

Neste artigo, traremos uma outra alternativa de captação de recursos por parte de empresas, através do chamado Equity Crowdfunding. Nesta modalidade, um conjunto de investidores coloca dinheiro em empresas em troca de participação nelas. O nome se dá por conta da junção das palavras participação societária (equity) e financiamento coletivo (crowdfunding).

Crowdfunding: financiamentos coletivos

Antes do surgimento das plataformas de equity crowdfunding já existiam as plataformas de crowdfunding, também conhecidas como financiamento coletivo ou até como vaquinhas virtuais. Neste caso, as pessoas abrem campanhas para um projeto para que usuários façam contribuições para viabilizá-lo.

Ao contrário das plataformas de equity crowdfunding, no qual a visão principal é a de um investimento, as plataformas de financiamento coletivo são mais focadas em doações ou prêmios. Ou seja, as pessoas contribuem para os projetos sem a espera de um retorno financeiro. Alguns exemplos de plataformas de crowdfunding no Brasil são sites como Catarse, Kickante e Benfeitoria.

Equity Crowdfunding: participação em empresas

Empresas em estágios iniciais muitas vezes têm o desafio de captar recursos para investimentos no negócio. Existem diversas formas de obter esses recursos: aporte de capital próprio, amigos, parentes, empréstimos em instituições financeiras, peer-to-peer lending, investidores anjos ou venture capital. O equity crowdfunding surge como uma nova alternativa.

A primeira plataforma desta modalidade surgiu na Inglaterra, em 2009. Nos Estados Unidos, apesar de algumas iniciativas já existirem, foi em 2012 que elas foram regulamentadas

Ao contrário dos financiamentos coletivos, no equity crowdfunding a ideia não é a de doações ou brindes, mas sim de um investimento: pessoas colocam dinheiro no projeto visando obter uma rentabilidade no futuro. Pensando no que já existe no mercado financeiro, enquanto que o peer-to-peer lending pode ser visto similar às debêntures, na qual empresas captam recursos e pagam de volta com juros, o equity crowdfunding pode ser visto como algo parecido com o mercado de ações, no qual o investidor passa a ter participação na empresa.

Porém, nem sempre o investimento funciona na forma de participação societária. Algumas das plataformas permitem que o retorno seja através de títulos conversíveis da dívida.

Temos vantagens tanto para as empresas quanto para os investidores. Do ponto de vista das empresas, que costumam ser startups, o acesso ao capital fica facilitado. Do ponto de vista do investidor, além do valor dos aportes ser mais baixo, já que a ideia é do investimento coletivo, há a possibilidade de diversificar e investir em empresas com grande potencial de crescer de forma exponencial.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) regulamentou o equity crowdfunding na instrução CVM 588. De acordo com a regulamentação, empresas com receita anual de até R$ 10 milhões podem realizar ofertas por meio do financiamento coletivo na internet, com dispensa automática de registro de oferta e de emissor. E como forma de proteção ao investidor, as ofertas só podem ser feitas por plataformas autorizadas.

Para as empresas que estão captando recursos, os principais requisitos envolvem a necessidade da empresa ser uma LTDA e o fato de que os recursos não poderem ser usados para investimentos em produtos financeiros ou para aquisição de outros negócios.

Riscos

Estamos falando de investimentos em novas empresas/projetos. Ou seja, é possível obter-se ganhos bem acima aos investimentos mais tradicionais. Porém, assim como no mercado de ações, estamos falando de renda variável. Dessa forma, o risco é mais acentuado, podendo, por outro lado, levar a perda de capital por parte dos investidores.

É justamente por isso que o investidor, na hora de aplicar seu dinheiro em alguma das plataformas, precisa se declarar estar ciente aos riscos envolvidos em investir em negócios, já que possuem poucas garantias e alta volatilidade. A CVM também estipulou o limite de investimento R$ 10 mil por ano, por investidor, com exceções para os investidores classificados como qualificados.

De qualquer forma, assim como nas plataformas de P2P Lending, nas plataformas de equity crowdfunfding também é feita uma seleção e uma avaliação de risco da empresa que está captando recursos. As plataformas avaliam o histórico da empresa, o motivo da captação e balanços financeiros para atribuírem uma classificação de risco. Todos estes dados são mostrados para que o investidor possa analisar e tomar suas decisões.

Plataformas

Abaixo, listamos algumas das plataformas de Equity Crowdfunding existentes aqui no Brasil:

  • Eqseed: os investidores são remunerados com uma participação na empresa investida, seja por meio participação societária direta seja por intermédio de notas conversíveis. O retorno pode ocorrer na forma de uma proporção da receita ganha no evento de uma venda da empresa, oferta pública ou por meio do pagamento de dividendos tirados dos lucros futuros da empresa. Para a captação, empresas com receita bruta de até R$ 10 milhões podem captar até R$ 5 milhões, com o valor da rodada de investimento variando de acordo com a receita bruta. De acordo com a plataforma, já foram analisadas mais de 4.000 empresas, destas, menos de 1% foram aprovadas e 29 rodadas foram concluídas. Alguns exemplos de captações concluídas foram das empresas Mutual (R$ 4 milhões), Horus Aeronaves (R$ 2 milhões), App Renda Fixa (R$ 1 milhão), Iouu (R$ 1,2 milhão), 3Cariocas (R$ 2 milhões), GreenAnt (R$ 1,6 milhão), Pegaki (R$ 1,2 milhão), Bynd (R$ 1,185 milhão), Nama (R$ 2,5 milhões), Ulend (R$ 1,8 milhão) e Peak Invest (R$ 1,2 milhão).
  • Kria: a plataforma surgiu em 2014, quando se chama Broota. Os investimentos são a partir de R$ 500. De acordo com a plataforma, 2.784 pessoas já investiram mais de R$ 31 milhões, em 74 captações. O retorno se dá pelo pagamento de dividendos correspondente aos lucros ou a parcela proporcional referente à venda.  Foram cases de empresas: Cervejaria Leuven (R$ 1,67 milhão), Easycrédito (R$ 645 mil), Carbono Zero Courier (R$ 346 mil), Qmágico (R$ 330 mil), Easy Carros (R$ 447,5 mil), Onyo (R$ 1,454 milhão), ChoppUP (R$ 423 mil). O limite de captação por rodada é de R$ 100 mil, com máximo de R$ 5 milhões por empresa, por ano. A taxa para a empresa captar recursos é de R$ 4.000 pelo processo de diligência da CVM e pelo apoio da preparação da rodada e, no sucesso da captação, mais 10% da taxa de sucesso da oferta.
  • Cap Table: a Cap Table é uma plataforma da Startse. O título de investimento tem duração máxima de 5 anos. Caso a empresa seja vendida antes desse prazo, o investidor recebe a proporção do valor de venda. Caso contrário, pode-se escolher entre  tornar-se acionista da empresa ou receber de volta o capital investido corrigido por 100% do CDI. Os projetos captados com sucesso foram a Trashin (R$ 1,102 milhão) e a Eirene (R$ 750 mil).

Deixe uma resposta

Fechar Menu