Embora a Reforma Tributária entre em uma fase gradual de implementação apenas a partir de 2027, algumas decisões começam a fazer parte da rotina das empresas ainda neste ano. Entre os dias 1º e 30 de setembro, empresas que pretendem optar pelo Simples Nacional para 2027 e aquelas que desejarem recolher o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) pelo regime regular deverão formalizar essa escolha no Portal do Simples Nacional.
A principal novidade é que empresas enquadradas no Simples poderão optar por recolher IBS e CBS fora da guia única do regime, permanecendo no Simples para os demais tributos. Na prática, isso significa que os novos impostos poderão ser apurados pelo regime regular, permitindo o aproveitamento de créditos tributários previstos na Reforma Tributária.
A mudança exige atenção porque a decisão pode influenciar diretamente a competitividade da empresa, a formação de preços, o relacionamento com clientes e fornecedores e o planejamento tributário dos próximos anos.
Para João Victor da Silva, economista e analista de Mercado da Orsitec, esse é um dos momentos em que a Reforma Tributária exige um planejamento mais estratégico por parte das empresas.
“Até aqui, para muitas empresas, permanecer no Simples Nacional era uma decisão relativamente simples. Com a Reforma Tributária, além do enquadramento no regime, será necessário analisar como a forma de recolhimento do IBS e da CBS pode impactar cada operação. Não existe uma solução única, porque cada empresa possui uma realidade diferente.”
Segundo o economista, a escolha passa a depender de fatores como segmento de atuação, perfil dos clientes, cadeia de fornecedores, estrutura de custos e possibilidade de aproveitamento de créditos tributários. Ele lembra que para empresas do Simples que têm consumidor final como clientes (pessoas físicas, condomínios, entre outros), pode valer a pena permanecer no regime tradicional.
“O empresário precisa entender quem são seus clientes, quem são seus fornecedores, qual é o peso dos insumos na operação e de que forma os créditos tributários podem influenciar sua competitividade. São fatores que variam de empresa para empresa e que precisam ser avaliados antes da escolha.”
Nova sistemática pode favorecer empresas que negociam com outras empresas
Uma das principais mudanças trazidas pela Reforma Tributária é a possibilidade de aproveitamento de créditos de IBS e CBS quando esses tributos são recolhidos pelo regime regular. Nas operações entre empresas, esse mecanismo pode tornar fornecedores mais competitivos, já que os clientes poderão utilizar esses créditos na apuração dos impostos.
Para João Victor da Silva, essa é uma das razões pelas quais a decisão deve ser tomada com base em estudos e simulações.
“Duas empresas com faturamento semelhante podem chegar a conclusões completamente diferentes. O que determina a melhor escolha é o modelo de negócio, a cadeia de fornecedores, o perfil dos clientes e a forma como a empresa opera.”
De acordo com João Victor, justamente por envolver tantas variáveis, a recomendação é que as empresas iniciem essa análise antes da abertura do prazo de opção.
“A Reforma Tributária muda a forma como as empresas precisam planejar seus tributos. Quanto antes esse estudo começar, maior será a segurança para tomar uma decisão alinhada à realidade do negócio e evitar escolhas precipitadas.”
Embora a implementação completa da Reforma Tributária aconteça de forma gradual até 2033, o economista destaca que este já é um dos primeiros reflexos concretos das novas regras no dia a dia das empresas.
“A transição será longa, mas o planejamento começa agora. As empresas que compreenderem essas mudanças desde o início terão mais tempo para avaliar cenários, organizar seus processos e tomar decisões com mais segurança.”
