Momento exige revisão tributária para empresas preservarem caixa

Momento exige revisão tributária para empresas preservarem caixa

Com o segundo semestre em andamento, empresas voltam a concentrar esforços na preservação do caixa, no controle de custos e no planejamento financeiro para os próximos meses. Entre as oportunidades pouco exploradas está a recuperação de créditos tributários previstos em lei. Especialistas afirmam que muitas organizações deixam recursos financeiros parados simplesmente porque nunca revisaram suas operações fiscais. 

Para André Fantoni, estrategista tributário, auditor e consultor, CEO da Fantoni Assessoria  empresa especializada em planejamento tributário, auditoria de ICMS, compliance fiscal e recuperação de créditos tributários, este é um dos melhores momentos do ano para revisar a situação fiscal da empresa antes do encerramento do exercício e da implementação gradual da Reforma Tributária. “A recuperação de créditos tributários não representa um benefício extraordinário nem uma brecha legal. Trata-se de identificar valores que pertencem à empresa e podem ser recuperados ou compensados dentro das regras previstas na legislação. O problema é que muitos empresários sequer sabem que esses créditos existem”.

Segundo o especialista, uma dúvida frequente é como descobrir se a empresa possui créditos tributários. A resposta, explica, está em uma revisão técnica das operações fiscais, da apuração dos tributos, das notas fiscais e da aplicação da legislação vigente. Esse diagnóstico normalmente é realizado por profissionais especializados em auditoria e consultoria tributária, já que a contabilidade operacional costuma estar concentrada no cumprimento das obrigações fiscais do dia a dia, e não na revisão de oportunidades acumuladas ao longo dos anos.

“O empresário muitas vezes acredita que, por entregar todas as declarações corretamente, não há nada a revisar. Mas alterações na legislação, mudanças de entendimento dos tribunais, erros de parametrização dos sistemas ou interpretações equivocadas podem fazer com que a empresa pague mais tributos do que deveria ou deixe de aproveitar créditos previstos em lei”, afirma.

Fantoni explica que indústrias, empresas do agronegócio, distribuidoras, atacadistas, transportadoras e negócios com operações interestaduais costumam concentrar maior potencial para recuperação de créditos relacionados principalmente ao ICMS. No entanto, ressalta que qualquer empresa pode apresentar oportunidades, desde que passe por uma análise individualizada.

Na prática, os valores recuperados podem ser utilizados para compensar tributos futuros ou, conforme a legislação e a natureza do crédito, gerar restituições. Para o consultor, esse recurso pode fazer diferença justamente no segundo semestre, quando muitas empresas iniciam o planejamento financeiro do ano seguinte. “Esse dinheiro pode reforçar o capital de giro, financiar investimentos em tecnologia, ampliar a capacidade produtiva, reduzir endividamento ou ajudar na preparação para as mudanças da Reforma Tributária. Em vez de buscar crédito no mercado, muitas empresas descobrem que já possuem recursos próprios disponíveis”, diz.

A necessidade de revisar procedimentos fiscais tende a crescer com a implementação gradual da Reforma Tributária. O Sebrae SP destaca que as mudanças exigirão adaptações na gestão empresarial, na apuração dos tributos, no fluxo de caixa e nos controles internos, tornando o planejamento tributário ainda mais relevante para empresas de todos os portes.

Para o estrategista, a transição para o novo modelo tributário torna o segundo semestre decisivo para quem deseja iniciar 2027 com maior previsibilidade financeira. “Conhecer a própria realidade tributária permite que a empresa tome decisões com mais segurança durante esse período de transição. Além de reduzir riscos fiscais, a recuperação de créditos fortalece o caixa e amplia a capacidade de investimento em um momento importante para o planejamento dos negócios”.

Além do impacto financeiro imediato, a revisão tributária também contribui para fortalecer a governança corporativa e reduzir riscos relacionados ao cumprimento das obrigações fiscais. Estudo publicado na Revista Contabilidade & Finanças, da Universidade de São Paulo, aponta que práticas voltadas à conformidade tributária melhoram a gestão fiscal das empresas e reduzem a exposição a riscos.

Para Fantoni, a competitividade deixou de depender apenas de vendas, produtividade e redução de despesas operacionais. “Hoje, empresas mais competitivas são aquelas que conhecem profundamente sua realidade tributária e administram seus recursos com inteligência. Quem ainda não revisou sua situação fiscal deve aproveitar o segundo semestre para fazer esse diagnóstico. Além de identificar oportunidades financeiras, a empresa entra na transição da Reforma Tributária conhecendo melhor seus créditos, reduzindo riscos e fortalecendo sua capacidade de investimento.”

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