A Valestrá, assessoria empresarial integrada, alerta que a Reforma Tributária já começa a produzir efeitos práticos nas empresas. Às vésperas do Dia do Consumidor, o risco para quem ainda trata o tema como distante é chegar aos próximos ciclos de venda com custos mal calculados, contratos engessados e perda de competitividade no preço final.
Embora grande parte do debate público ainda esteja concentrado no que pode mudar mais à frente, os primeiros reflexos operacionais já começaram a ser sentidos em 2026. Na prática, o tema deixou de ser apenas uma discussão legislativa e passou a exigir ação concreta das empresas, especialmente em planejamento tributário, revisão contratual, precificação e previsibilidade de caixa.
Além disso, estimativas indicam que a carga tributária do novo modelo de tributação do consumo poderá alcançar patamares próximos de 28%, o que tende a pressionar margens e exigir maior precisão na formação de preços e na estrutura de custos das empresas.
Para Keila Biazon, CEO da Valestrá, o principal erro, neste momento, é adiar o diagnóstico. “Muitas empresas ainda não têm clareza sobre o quanto pagam hoje em tributos municipais, estaduais e federais, como essa carga está distribuída e o quanto estão deixando de ganhar com uma gestão mais eficiente dos recursos. Sem essa fotografia, fica mais difícil prever impactos, renegociar contratos com fornecedores, precificar os próprios produtos e se preparar para o novo ambiente tributário”, afirma.
Organização tributária é investimento, e não gasto
A falta de planejamento ultrapassa os bastidores do negócio e atinge em cheio o consumidor final. É o que chamamos de efeito cascata no nosso método de negócio: a ineficiência tributária no B2B (seja na indústria ou no atacado) que esmaga a margem da cadeia e resulta em um produto mais caro na gôndola. Proteger a retaguarda tributária das empresas é o que garante a competitividade de preço lá na frente.
Quando um negócio não se prepara e erra no cálculo de custos, deixando de aproveitar adequadamente os créditos tributários, perde margem. Parte desse impacto tende a ser absorvida em reajustes de preço — afetando diretamente o mercado e o bolso de quem compra. Por outro lado, organização tributária não deve ser tomada apenas como custo ou obrigação: ela também pode gerar ganho. O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) vem reiterando que cerca de 95% das empresas brasileiras pagam mais impostos do que deveriam, seja por erro de apuração ou pelo desconhecimento de benefícios fiscais. Empresas que se antecipam conseguem reduzir riscos, identificar oportunidades de economia, corrigir distorções, recuperar eficiência e tomar decisões com mais segurança — inclusive na capacidade de negociação e na formação de preços.
Nos setores com ciclos mais longos de venda, fornecimento ou prestação de serviços, o risco é ainda maior: contratos fechados agora podem carregar premissas antigas e se transformar em prejuízo no futuro. Ao mesmo tempo, empresas que se antecipam conseguem reduzir impactos, preservar margem, ganhar competitividade e até identificar oportunidades de redução de custos. Para isso, esses três passos são importantes para blindar a margem.
- Raio-X da Cadeia: Mapear quais fornecedores gerarão créditos plenos no novo sistema e quais encarecerão o custo do produto.
- Revisão de Contratos Longos: Inserir cláusulas de reequilíbrio econômico-financeiro atreladas à transição do IBS/CBS.
- Auditoria de Cadastro (NCM): Garantir que a classificação dos produtos esteja impecável para evitar o travamento de créditos e multas no novo modelo.
“O empresário que não revisar as premissas de custo hoje, estará financiando a ineficiência da sua própria cadeia em 2026. A reforma não perdoa margens apertadas; quem não tem gestão cirúrgica do crédito tributário vai repassar preço, perder mercado e culpar a economia”, conclui Keila.
