Greve dos caminhoneiros: uma aula da lei de Oferta e Procura

Greve dos caminhoneiros: uma aula da lei de Oferta e Procura

A greve dos caminhoneiros quem vem acontecendo desde a semana passada além de ser uma reivindicação dos transportadores de carga por melhores preços nos combustíveis, também nos mostra como a lei da Oferta e Procura não é só uma teoria econômica, mas sim uma realidade.

Economia

A Lei da Oferta e Procura é responsável por buscar estabilizar a procura e a oferta de determinado bem ou serviço. Antes de mais nada, é importante entender os significados de Oferta e Procura. A Oferta pode ser entendida como a quantidade de produto disponível em mercado, enquanto a Procura (também chamada de Demanda) é o interesse em relação a este mesmo produto.

A oferta depende do preço, da quantidade e da tecnologia empregada. A procura é influenciada pelas preferências do consumidor, pela relação entre o preço e a qualidade e também pela facilidade de compra.

O preço é um dos fatores mais importantes de serem observados. Inicialmente, quando um produto ou serviço são lançados, ele até chega a ser um dos determinantes, porém, em geral, ele acaba sendo definido pelo próprio consumidor, pelos desequilíbrios entre oferta e procura.  Em outras palavras, quando os consumidores aumentam a busca por um produto ou serviço quaisquer, o produtor eleva seu preço. E, no cenário oposto, quando um produto ou um serviço deixam de ser procurados, o produtor é estimulado a reduzir suas produções ou até deixar de produzir  produto (ou prestar o serviço). Como pode ser visto no gráfico abaixo, quanto maior o preço, menor a demanda, e, quanto menor o preço, maior a quantidade de consumidores procurando os produtos:

Claro que há uma variação dessa relação de produto para produto. Por isso, outro conceito da economia é a Elasticidade, que é o tamanho do impacto que a alteração em uma variável (por exemplo, o preço) exerce sobre outra variável (por exemplo, a demanda). Essa relação pode ser entendida como a reação das pessoas frente a mudanças em variáveis econômicas.

Produtos inelásticos são aqueles em que os consumidores são relativamente insensíveis a variações no preço. Por exemplo, o arroz, bem de consumo praticamente essencial na mesa do brasileiro, independente do preço, acaba sendo comprado. Já o bem que tem demanda elástica é aquele em que a quantidade demandada responde substancialmente a variações no preço. Por exemplo, um doce, que não é essencial na mesa do brasileiro, se tiver um preço muito elevado, será cortado da lista de compras.

Os determinantes do grau de elasticidade de um bem estão relacionados às preferências do consumidor, envolvendo o grau de essencialidade do bem, se existem bens substitutos e horizontes temporais.

Os bens chamados de “bens de consumo substitutos” são aqueles que, como o próprio nome já diz, possuem substitutos, e, dessa forma, com a alta do preço de um produto, procura-se consumir outro produto que atenda a demanda original. Isso acontece, por exemplo, entre o álcool e a gasolina.

Já os bens complementares, bens que são consumidos em conjunto, e que o aumento ou a diminuição de um determina o mesmo movimento em outro é o caso visto, por exemplo, entre o carro e o combustível, já que você precisa do combustível para utilizar o carro.

Mas qual a relação com a greve dos caminhoneiros?

Com os bloqueios nas rodovias e a suspensão na entrega de combustíveis aos postos, inicialmente tivemos a oferta de combustíveis caindo drasticamente. As filas nos postos aumentaram, e, pelo fato do combustível ser um bem praticamente essencial, os preços subiram e mesmo assim o consumidor aceitou (comportamento inelástico):

A falta de abastecimento de combustível nos postos afetou toda a logística de comércios que dependem de transporte de cargas ou pessoas, o que também trouxe a relação da oferta e procura para outros produtos e serviços, como supermercados, feiras, Uber:

Ou seja, no cenário de greve, criou-se um ambiente economicamente perturbado, que trouxe a redução na oferta e, consequentemente, aumento nos preços. Para não termos um impacto tão grande nos nossos bolsos, é importante economizar, e planejar-se bem para consumir apenas o necessário, enquanto as coisas não se resolvam. No caso de bens de maior necessidade, como alimentos e combustível, caso compre com preços abusivos, peça a nota fiscal e também denuncie no Reclame Aqui e no Procon, pois o Direito do Consumidor deve sempre prevalecer.

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