Intitulado “O Ralo Digital”, o levantamento mostra como a combinação de juros elevados com a expansão das plataformas de apostas vem drenando liquidez do país em ritmo acelerado, potencializado pela instantaneidade do Pix.
De acordo com a análise, o impacto desse movimento foi suficiente para neutralizar, quase por completo, a injeção de liquidez promovida pelo Estado durante a pandemia de COVID-19, funcionando como um verdadeiro “antiestímulo” à economia real.
- Entre as principais conclusões do estudo, destacam-se:
- Destruição ativa de patrimônio: mais do que reduzir o consumo, as famílias estão utilizando reservas financeiras, com saques em poupança e depósitos a prazo;
- Desespero com “zero atrito”: a facilidade do Pix viabiliza transferências imediatas, seja para apostas ou para cobrir dívidas pressionadas pelos juros elevados;
- Evasão de capital: os recursos destinados às plataformas de apostas não retornam à economia produtiva, permanecendo fora do sistema bancário tradicional ou sendo enviados ao exterior;
- Efeito em cadeia nas empresas: a retração do consumo impacta diretamente o faturamento das companhias, que passam a enfrentar pressão adicional em um cenário de crédito mais caro.
O estudo foi elaborado com base em 179 observações mensais, a partir de modelos econométricos aplicados a dados do Banco Central do Brasil, e identificou o início desse choque estrutural em janeiro de 2022.
Para Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, o fenômeno vai além de uma mudança pontual de comportamento financeiro: “As transferências para estas plataformas não constituem uma mera realocação de recursos. Trata-se, sim, de uma evasão estrutural permanente que asfixia o caixa do tecido empresarial e destrói o futuro financeiro das famílias brasileiras.”
