Febre do álbum da Copa reacende consumo impulsivo e exige controle financeiro do brasileiro

Febre do álbum da Copa reacende consumo impulsivo e exige controle financeiro do brasileiro

A proximidade da Copa do Mundo volta a movimentar o consumo no Brasil, impulsionada pela tradicional corrida para completar o álbum de figurinhas. O fenômeno, que se repete a cada edição do torneio, ganha força em um momento de atenção redobrada com as finanças: levantamento do SPC Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), divulgado em 2025, aponta que 46% dos brasileiros admitem fazer compras por impulso com frequência, especialmente em períodos sazonais. 

Para especialistas, a combinação entre apelo emocional e compras recorrentes pode gerar impacto relevante no orçamento.

Ricardo Hiraki, sócio-fundador da Plano Fintech e especialista em educação financeira, afirma que o comportamento coletivo intensifica o consumo. “A Copa cria um senso de pertencimento. As pessoas querem participar, completar o álbum, trocar figurinhas. Isso ativa o efeito manada e faz com que decisões financeiras sejam menos racionais”, diz.

O movimento não se limita ao entretenimento. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), datas e eventos específicos elevam temporariamente o consumo das famílias, muitas vezes sem planejamento prévio. 

No caso das figurinhas, o impacto se dilui em pequenos valores, o que dificulta a percepção do gasto total. “Um pacote parece barato, mas a repetição diária ou semanal transforma isso em um valor significativo no fim do mês”, afirma o especialista.

A dinâmica evidencia um padrão comum no consumo impulsivo. Pequenas compras recorrentes, associadas a estímulos emocionais, passam despercebidas no dia a dia, mas comprometem a organização financeira. “O problema não é o álbum em si, mas a falta de limite. Quando não há planejamento, o hobby deixa de ser lazer e passa a gerar descontrole”, afirma.

Casos de extrapolação não são raros. Em edições anteriores da Copa, relatos de consumidores que gastaram centenas ou até milhares de reais para completar o álbum ganharam repercussão. O padrão se repete agora, com maior facilidade de compra digital e acesso ampliado aos produtos. “Hoje, a compra é mais acessível, o que reduz a barreira e aumenta o risco de excesso”, explica.

Além do impacto direto no orçamento, o comportamento revela fragilidades na educação financeira. A ausência de planejamento para gastos sazonais tende a se repetir em outros momentos, como datas comemorativas e promoções. “Quem não se organiza para um evento como a Copa provavelmente também terá dificuldade em outras situações de consumo emocional”, diz.

Para empresas, o fenômeno também traz oportunidades. O aumento da demanda abre espaço para estratégias de venda, ações promocionais e engajamento do consumidor. Ao mesmo tempo, exige responsabilidade na comunicação e na oferta de produtos. “Negócios que entendem o comportamento do consumidor conseguem vender mais, mas também podem contribuir com práticas conscientes, como incentivo à troca de figurinhas e kits mais equilibrados”, afirma.

O especialista aponta cinco formas de evitar gastos impulsivos com o álbum da Copa e proteger o orçamento 

Diante do aumento dos gastos impulsivos, o especialista aponta medidas práticas para manter o equilíbrio financeiro durante períodos de maior consumo:

  • Definir um limite de gasto antes de começar
    Estabelecer um valor máximo para investir no álbum ajuda a evitar excessos e mantém o controle ao longo do processo.
  • Acompanhar os gastos ao longo das semanas
    Registrar cada compra permite visualizar o total acumulado e ajustar o comportamento antes que o orçamento seja comprometido.
  • Priorizar trocas em vez de novas compras
    Participar de grupos e encontros para troca de figurinhas reduz a necessidade de adquirir novos pacotes.
  • Evitar compras por impulso em momentos emocionais
    Reconhecer o impulso e adiar a decisão de compra pode reduzir gastos desnecessários.
  • Incluir o gasto no planejamento mensal
    Tratar o álbum como uma despesa planejada, e não eventual, ajuda a manter a organização financeira.

Para o especialista, o principal ponto é a consciência sobre o próprio comportamento. “Não se trata de deixar de participar, mas de fazer isso com clareza. Quando o consumidor entende para onde o dinheiro está indo, ele passa a ter mais controle e toma decisões melhores”, afirma.

O fenômeno do álbum da Copa, embora pontual, expõe um padrão recorrente no consumo brasileiro. Pequenos gastos, quando não monitorados, acumulam impacto relevante e comprometem o equilíbrio financeiro. A diferença está na forma como cada consumidor se organiza para lidar com esses estímulos.

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