A combinação entre o avanço da inteligência artificial, as mudanças previstas com a Reforma Tributária e a crescente pressão sobre as margens de lucro deve transformar a maneira como empresas do varejo e da indústria definem seus preços nos próximos anos. Com a aproximação de 2027, o desafio do setor vai além de acompanhar a concorrência e ajustar valores nas prateleiras, passando também pela necessidade de integrar informações comerciais, custos operacionais e comportamento do consumidor para garantir decisões mais eficientes.
Esse cenário esteve entre os principais temas discutidos no Pricing Conectado 2026, encontro promovido pela InfoPrice que reuniu cerca de 400 profissionais e especialistas do varejo e da indústria, no dia 15 de outubro, em São Paulo. Ao longo da programação, representantes de diferentes segmentos debateram como a tecnologia, a gestão de receita e as mudanças tributárias devem influenciar a rentabilidade das empresas, especialmente em um ambiente de maior transparência de preços e consumidores cada vez mais atentos às condições de compra.
Um dos principais alertas apresentados durante o encontro foi o impacto da Reforma Tributária sobre a formação de preços. Segundo Dione Danillo, especialista tributário e de precificação do Grupo Martins Atacado, a transição para o novo modelo tributário exigirá uma revisão das estratégias comerciais, já que as mudanças não ficarão restritas ao recolhimento de impostos, mas também terão reflexos sobre custos, negociações e margens. A avaliação reforça a importância de aproximar áreas como compras, financeiro, fiscal e pricing para antecipar os efeitos da transição.
A inteligência artificial também ganhou destaque nas discussões, principalmente por seu potencial de automatizar análises, identificar oportunidades comerciais e apoiar decisões de precificação. Durante um painel mediado por Paulo Garcia, CEO da InfoPrice, especialistas do Grupo Supley, D’Avó Supermercados e ESPM destacaram que a adoção da tecnologia ainda exige amadurecimento das empresas, especialmente em relação à qualidade dos dados e à governança. O debate também apontou que ferramentas de IA podem reduzir diferenças competitivas entre grandes redes e varejistas regionais, desde que sejam utilizadas com objetivos claros e alinhadas à estratégia de cada negócio.
“A inteligência artificial está mudando a forma como as empresas analisam o mercado e tomam decisões comerciais. O diferencial competitivo não estará apenas em ter acesso à tecnologia, mas em saber utilizá-la para compreender o comportamento dos preços, antecipar movimentos da concorrência e proteger a rentabilidade. Para isso, é fundamental que as empresas tenham dados confiáveis e processos bem estruturados”, afirma Paulo Garcia, CEO da InfoPrice.
Outro ponto discutido foi a importância das negociações entre indústria e varejo para a construção de margens mais sustentáveis. A análise apresentada durante o encontro mostrou que a rentabilidade não depende exclusivamente do preço final ao consumidor, mas também das condições comerciais estabelecidas ao longo da cadeia. Nesse contexto, o uso de inteligência de mercado e ferramentas de análise pode contribuir para negociações mais precisas, planejamento de compras e estratégias comerciais adaptadas às particularidades de cada região.
“A formação de preços precisa ser entendida como uma decisão estratégica que começa muito antes de o produto chegar à prateleira. Quando compras, negociação e precificação trabalham de forma integrada, as empresas conseguem identificar oportunidades de eficiência e tomar decisões mais consistentes, sem depender exclusivamente de reajustes para preservar suas margens”, explica Marcus Roggero, co-CEO da InfoPrice.
As discussões reforçam que a competitividade do varejo nos próximos anos dependerá cada vez mais da capacidade de transformar informações em decisões práticas. Em um mercado marcado por mudanças regulatórias, avanço tecnológico e consumidores com maior acesso à comparação de preços, especialistas apontam que o equilíbrio entre eficiência operacional, inteligência comercial e gestão de margens deverá ganhar espaço nas estratégias de crescimento das empresas.
