No Brasil, um número significativo de domicílios é chefiado por mulheres, que assumiram mais responsabilidades econômicas ao longo dos anos, mas ainda enfrentam desafios para alcançar a equidade no mercado de trabalho. Segundo o IBGE, no último trimestre de 2025, a taxa de desocupação foi de 6,2% para as mulheres, enquanto a dos homens ficou em 4,2%.
Apesar disso, uma pesquisa da Serasa em parceria com o Opinion Box, divulgada em fevereiro de 2026, revela que 34% das mulheres são as únicas responsáveis por manter a família financeiramente, percentual que sobe para 45% entre as classes D e E. Um agravante é que mais de 11,3 milhões de mulheres no país são mães solo e criam seus filhos sem uma rede de apoio, segundo dados da FGV referentes a 2022.
Os números mostram que, ao se tornar mãe, o planejamento financeiro se torna ainda mais essencial. Os gastos com a criação de um filho até a vida adulta podem variar enormemente conforme o padrão de vida da família. Estimativas de consultorias e institutos de pesquisa, como as divulgadas por materiais de planejamento familiar em 2026, apontam que o custo total pode oscilar entre R$ 50 mil e R$ 2 milhões, dependendo da região e das escolhas dos pais.
Para manter uma vida material confortável, as mães (e pais!) precisam aprender sobre educação financeira e transmitir esses valores para os filhos desde cedo, bem como entender o próprio perfil de gastos. A seguir, Ana Paula Oliveira, executiva de negócios da Simplic, fintech de crédito pessoal online, explica quais são os cinco perfis mais comuns das mães quando se trata de dinheiro. Confira:
Mães com perfil gastador
Mulheres com esse perfil costumam gastar toda a renda mensal disponível. Isso não significa, necessariamente, que elas acumulam dívidas; contudo, dificilmente conseguem fazer sobrar dinheiro. Por serem impulsivas e motivadas pelo prazer imediato que sentem ao comprar, podem deixar de construir uma reserva financeira ou realizar investimentos.
“As mães com perfil gastador precisam desenvolver autocontrole, estabelecer um orçamento e desenvolver estratégias para controlar os gastos. É uma maneira de dar o exemplo mais adequado aos filhos e evitar dar início a uma longa cadeia de endividamento familiar”, aconselha Ana.
Mães com perfil devedor
Mulheres com esse perfil tendem a ter um longo histórico de dívidas. Como têm dificuldade em controlar os gastos, costumam recorrer a alternativas de crédito desvantajosas, que comprometem ainda mais o equilíbrio financeiro da família.
“Para mulheres com perfil devedor, é importante aprender a administrar as dívidas, bem como buscar soluções alternativas para reduzi-las. Uma ideia é substituir ‘dívidas caras’, como as do rotativo do cartão de crédito ou do cheque especial, por ‘dívidas mais baratas’, como um empréstimo pessoal com juros reduzidos”, opina a executiva.
Mães com perfil poupador
Mulheres com esse perfil costumam ter mais equilíbrio financeiro, pois além de controlarem os gastos, colocam a segurança financeira em primeiro lugar, mantendo o hábito de guardar dinheiro para emergências. Também planejam o futuro dos filhos, guardando algum montante para despesas com educação.
“O único ponto de atenção para mães com perfil poupador está na tendência de adotar uma postura excessivamente cautelosa, o que pode limitar a visão para oportunidades que poderiam fazer o dinheiro render de forma segura. Em alguns casos, essa atitude também leva a renunciar a momentos de lazer, seus e de seus filhos, deixando de curtir o presente”, sugere.
Mães com perfil investidor
Mulheres com esse perfil buscam aprender sobre finanças para diversificar seus investimentos e assumem riscos em busca de retornos financeiros mais robustos, especialmente para aumentar o patrimônio. Mas devem tomar cuidado para não perder dinheiro em investimentos de alto risco, colocando a estabilidade financeira da família em xeque.
Mães com perfil “desligado”
Mulheres com esse perfil não gastam tudo o que ganham, tampouco têm dívidas; contudo, costumam deixar o dinheiro parado na conta corrente e não estabelecem objetivos financeiros, demonstrando completo desinteresse pelo assunto. O desafio para essas pessoas é desenvolver consciência financeira, educar-se sobre o assunto e aprender a investir.
Independente do perfil financeiro de cada mulher, 53% dos pais brasileiros começam a conversar sobre finanças com os filhos antes dos 8 anos de idade, de acordo com uma pesquisa da Serasa e Opinion Box. Além disso, 39% das famílias oferecem mesada às crianças como ferramenta de aprendizado financeiro prático, segundo o mesmo levantamento.
